“Quando precisas de uma mão, a vida envia-te uma pata”

Estão a ver aquela frase “quando precisas de uma mão, a vida envia-te uma pata”? Acho que muitos donos de cães percebem o quão verdadeira é.

Era 2017 e eu estava a dar uma volta à minha vida. Muitas coisas se tinham passado nos anteriores anos e finalmente tinha força para andar para a frente. Novo trabalho, nova casa, novas aventuras, afastada de todos os que tinham sido os meus apoios até aí.

Tinha-me despedido há poucos anos do meu companheiro de 4 patas que me acompanhou a minha infância e adolescência. A tecnologia e os cuidados animais não eram os melhores na altura, e o Micky, yorkshire refilão anti-social teve que ser posto a dormir poucos dias antes do meu aniversário.

Ao contrario de muitas pessoas, queria voltar a ter um cão no futuro. A experiência tinha sido traumática, mas no fundo sabia que iria encontrar um novo amigo. 

Comecei a planear. Uma cadela de porte médio seria talvez o ideia. Mas tal projecto seria impossível enquanto co-habitava com o resto da família humana. 

No meio da reviravolta que estava a ser a minha vida como nova adulta independente e (a tentar ser) responsável em Janeiro de 2017, uma amiga pede-me ajuda para recolher um cãozinho duma outra amiga que sofria violência domestica, e o dito cãozinho tinha também sido vitima. 

Fui apenas ver o cãozinho que era tão fofo nas fotos ao vivo. Afinal, tinha acabado de sair de casa dos pais há nem 1 semana, não era de todo o timing ideal! E eu tinha planeado uma cadela de porte médio, não um cão, e essa minha amiga sabia.

Fui ve-lo. Balinha,  de patas desproporcionadas, e orelhas cada uma para seu lado.

Terrivelmente assustado, brincava com a cadelinha da mesma idade dele que partilhava temporariamente o tecto. Deixou-me aproximar, apesar de todo o medo de pessoas que tinha e, vim eu a descobrir mais tarde, pavor de homens. 

A minha cabeça debatia-se:

  • Adoro-o é mesmo isto
  • olha essas patas vais ser enorme
  • epa 25kg de cão não é assim tanto
  • outro cão macho? Nem penses
  • eu já tive um cão, é só ensina-lo melhor
  • ai se fica de pelo longo fico com uma carpete xl
  • mas ele não tem medo de mim e tem das outras pessoas…

Algumas horas neste debate interno, é fácil saber o que aconteceu. Lá veio o Oreo, na altura com 9kg e talvez 4 a 5 meses e ainda pouca manchas castanhas para destoar o nome que lhe havia sido dado.

Na minha cabeça eu já tinha tido um cão, não seria assim tão difícil criar um cachorro e curar-lhe os traumas, afinal ainda era bebe. 

Eu nem sabia na aventura que me tinha metido. O pouco que na realidade sabia sobre cães. 

Porque saber sobre cães não é ensinar a fazer chichi no jornal e a sentar ao comando. 

Naquele dia “assinei”  o contrato que seria para a vida toda dele. De o ajudar nos seus medos, na sua ansiedade, em tudo. 

E nem sabia eu o que ia aprender sobre mim também. As pessoas que se tornariam minhas ajudas nestes anos. As pessoas que afastaria “por me preocupar demasiado com o cão”.

Que estes patudos não são assim tão diferentes de nós, e que se as pessoas fossem um pouco mais como eles o mundo seria muito melhor.

By: Catarina Esteves

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